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Personalidades de Azinhaga, José Saramago


Personalidades



JOSE SARAMAGO
Descendendo de famílias humildes, oriundas de Azinhaga, onde nasceu na rua da Alagoa em 1922, José Saramago cedo parte para Lisboa, uma vez que o pai aqui exercerá a sua profissão. Sua avó materna, a Sr3 Josefa, pela primeira vez, chorosa, se despede dele na Estação de Mato de Miranda. Mulher a que a vida gravou semblante duro e agreste, a encobrir-lhe, no peito, uma mancheia de ternura, irá faltar ao menino que, quando homem e talentoso escritor, há-de, com uma saudade nunca arrefecida, lembrá-la em algum dos seus livros. Por ora, crescido em liberdade na imensidão dos campos, viverá fechado numa pequena casa, cujas paredes lhe vedam o horizonte. Ainda criança pensará que, afinal, a cidade é mais limitativa do que a aldeia. Por enquanto...
Sonha então, sem lhes saber porquês, coisas grandes e disformes, na pequenez do seu mundo. Coisas que os olhos não vêm, mas a inteligência saberá com o conhecimento de amanhã. E vai medrando no corpo e na capacidade de aprender. Ir à escola, significa ir à rua. E gosta. Primeiro porque sim, depois porque já sabe. Um curso não o interessará muito, até por ter a consciência das dificulPersonalidades

JOSE SARAMAGO
Descendendo de famílias humildes, oriundas de Azinhaga, onde nasceu na rua da Alagoa em 1922, José Saramago cedo parte para Lisboa, uma vez que o pai aqui exercerá a sua profissão. Sua avó materna, a Sr3 Josefa, pela primeira vez, chorosa, se despede dele na Estação de Mato de Miranda. Mulher a que a vida gravou semblante duro e agreste, a encobrir-lhe, no peito, uma mancheia de ternura, irá faltar ao menino que, quando homem e talentoso escritor, há-de, com uma saudade nunca arrefecida, lembrá-la em algum dos seus livros. Por ora, crescido em liberdade na imensidão dos campos, viverá fechado numa pequena casa, cujas paredes lhe vedam o horizonte. Ainda criança pensará que, afinal, a cidade é mais limitativa do que a aldeia. Por enquanto...
Sonha então, sem lhes saber porquês, coisas grandes e disformes, na pequenez do seu mundo. Coisas que os olhos não vêm, mas a inteligência saberá com o conhecimento de amanhã. E vai medrando no corpo e na capacidade de aprender. Ir à escola, significa ir à rua. E gosta. Primeiro porque sim, depois porque já sabe. Um curso não o interessará muito, até por ter a consciência das dificuldades da família. Mas, atreve-se a uma profissão. Manual. Termina, então, com 17 anos, a aprendizagem de serralheiro mecânico.
E homem, agora, voltado para os problemas do espírito. Confusos ainda, amalgamados, mas, em cada dia que passa, mais lúcidos e pertinazes.
Não admira, pois, diz Fernando Martinho que, nessa idade, "na tranquilidade de uma biblioteca pública de Lisboa tenha tido sob os olhos as vinte odes que o n° 1 da Athena publicara em Outubro de 1924. Na própria biblioteca da escola, pródiga, com certeza, em livros de índole nacionalista, podia também ter lido a "Mensagem" (de Fernando Pessoa) vinda a público em fins de 1934".
Empregado, aos 25 anos, na Caixa de Abono de Família do Pessoal da Indústria, Saramago lê tudo. Menos oficios e mais livros, felizmente. A cidade, percebe entusiasmado, sempre tem o condão de descortinar horizontes vastos. Ignorados, de princípio, mas logo que vistos, com perseverança, com coragem e clareza, lhe vão abrindo e acumulando um ror de conhecimentos. Gradualmente, cada vez maiores e mais significativos. Sabe que não sabe e quer saber. Por isso estuda. Só, no café, no jardim, na cama. Transforma-se num autodidacta. E descobre-se a si mesmo um homem fadado para voos ultradimensionais.
"A sua actividade por diversos campos, toma Fernando Martinho, desde a colaboração avulsa em jornais e revistas ao desempenho de funções de relevo numa casa editora e ao exercício da tradução, com caracter mais ou menos regular (entre os autores que, ao longo dos anos, foi traduzindo contam-se, Baudelaire, Tolstoi, Mompassant, Colette, Jean Cassou, Jules Roy. Par Lágerkvist, Jacques Roumain, Ferdinand Oyono). Mais tarde fará do jornalismo sua profissão até que a situação de desemprego que o atinge na sequência dos acontecimentos de 25 de Novembro de 75, quando era director-adjunto do "Diário de Notícias", acaba por gerar nele energias que progressivamente, vai concentrar na edificação de um edifício ficcional que é, hoje em dia, um dos mais sólidos e de mais ampla e justificada irradiação internacional das letras portuguesas". A obra ímpar, e diversificada, de José Saramago é composta pelos seguintes títulos, alguns dos quais obtiveram os prémios e as citações que se indicam:
dades da família. Mas, atreve-se a uma profissão. Manual. Termina, então, com 17 anos, a aprendizagem de serralheiro mecânico.
E homem, agora, voltado para os problemas do espírito. Confusos ainda, amalgamados, mas, em cada dia que passa, mais lúcidos e pertinazes.
Não admira, pois, diz Fernando Martinho que, nessa idade, "na tranquilidade de uma biblioteca pública de Lisboa tenha tido sob os olhos as vinte odes que o n° 1 da Athena publicara em Outubro de 1924. Na própria biblioteca da escola, pródiga, com certeza, em livros de índole nacionalista, podia também ter lido a "Mensagem" (de Fernando Pessoa) vinda a público em fins de 1934".
Empregado, aos 25 anos, na Caixa de Abono de Família do Pessoal da Indústria, Saramago lê tudo. Menos oficios e mais livros, felizmente. A cidade, percebe entusiasmado, sempre tem o condão de descortinar horizontes vastos. Ignorados, de princípio, mas logo que vistos, com perseverança, com coragem e clareza, lhe vão abrindo e acumulando um ror de conhecimentos. Gradualmente, cada vez maiores e mais significativos. Sabe que não sabe e quer saber. Por isso estuda. Só, no café, no jardim, na cama. Transforma-se num autodidacta. E descobre-se a si mesmo um homem fadado para voos ultradimensionais.
"A sua actividade por diversos campos, toma Fernando Martinho, desde a colaboração avulsa em jornais e revistas ao desempenho de funções de relevo numa casa editora e ao exercício da tradução, com caracter mais ou menos regular (entre os autores que, ao longo dos anos, foi traduzindo contam-se, Baudelaire, Tolstoi, Mompassant, Colette, Jean Cassou, Jules Roy. Par Lágerkvist, Jacques Roumain, Ferdinand Oyono). Mais tarde fará do jornalismo sua profissão até que a situação de desemprego que o atinge na sequência dos acontecimentos de 25 de Novembro de 75, quando era director-adjunto do "Diário de Notícias", acaba por gerar nele energias que progressivamente, vai concentrar na edificação de um edifício ficcional que é, hoje em dia, um dos mais sólidos e de mais ampla e justificada irradiação internacional das letras portuguesas". A obra ímpar, e diversificada, de José Saramago é composta pelos seguintes títulos, alguns dos quais obtiveram os prémios e as citações que se indicam: