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quarta-feira, 20 de junho de 2012

Públicado no Jornal o riachense

Mária Pombo
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Agradecimento
Sempre escrevi só para mim. Não me lembro da primeira palavra nem do primeiro verso mas lembro-me de o fazer, em primeiro lugar, para mim.
Descobri, neste modo de ver e de sentir o mundo, uma forma de me encontrar, de ser eu, num canto qualquer que por momentos passa a ser só meu. Sempre precisei dos meus silêncios e raras foram as vezes que abdiquei deles por algum motivo. E esses silêncios são povoados por isto: palavras escritas.
É quando escrevo que consigo deixar transparecer aquela parte mais miúda que tenho, que todos temos, porque, estando só, fico longe de juízos e de críticas.
E esse é o motivo pelo qual cada crónica, neste espaço, é um desafio. Porque, ao dar-me em cada palavra, pensando ser para mim, percebo que não me posso restringir ao meu umbigo. E porque não sei que olhos me lêem além dos meus, que mentes me julgam, nem consigo escrever de outra forma, a única “regra” que me impus foi a de não escrever sobre assuntos já “gastos” ou que toda a gente comenta (crise, por exemplo).
Nunca me incomodei com opiniões alheias, mas se escrevo para alguém, como é o caso, mesmo que não saiba quem é, tenho o dever de fazer essa pessoa (ou pessoas) sentir (ou sentirem) nas minhas palavras pelo menos metade do conforto que senti ao escrevê-las.
Hoje quero fazer um agradecimento a quem ocupa algum do seu tempo a ler estas linhas, tão simples e tão imprecisas, por vezes. Faço-o, em especial, e se me permitem, à dona Henriqueta Caetano de Jesus pelo poema que enviou, que me fez sentir o ego a aumentar mil vezes.
Receber carinho de pessoas que conhecemos é fantástico, mas recebê-lo de autênticos desconhecidos, de partes tão diversas deste mundo, faz-me pensar que afinal vale a pena fazer aquilo de que mais gosto porque, sem saber, posso desenhar no rosto de alguém um sorriso de quem, estando longe, se sente um bocadinho mais perto.
Haverá melhor recompensa?

Mária Pombo

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